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domingo, 3 de agosto de 2008

DAI TEMPO AO TEMPO, SOBRETUDO AOS AMIGOS

“Chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer, tudo o que recebi de meu Pai” (João 15,15) 

São palavras de Jesus dirigidas a seus companheiros e discípulos, porque quer ficar muito perto de seus amigos, que o acompanham há quase quatro anos. Sabe perfeitamente o que o espera muito em breve. Não atua com segredos, nem dúbias modéstias, diz-lhes diretamente quanto os ama. 

Abre-se com a franqueza e honestidade de sua personalidade, diz-lhes que os ama, do seu carinho, tornando-se capaz de ir a extremos no amor “dando a vida por aqueles que ama”(João 15,3-15;13)

“Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi” ( João 15,16). Toma a iniciativa. 

Não havia interesses escusos ou escondidos, fossem quais fossem, houve sim uma ternura imensa. Pelos amigos e pela Obra a realizar. A escolha não nasceu da qualidade dos discípulos, mas apenas de uma preferência cheia de carinho.

“Permanecei no meu amor, guardai os meus mandamentos, pedi ao Pai o que quiserdes e daí fruto, um fruto que permaneça” ( João 15,9-10 e 16), diz-lhes com convicção. Então só vos peço uma coisa “que vos ameis uns aos outros" (João 15,17)

Amar todos os outros, sem distinção é o preço único a pagar por aqueles que encontram em ideais transcendentes, valiosos, eternos, puros de verdade e convicção, expressos tão exemplarmente por Jesus, o sentido para o seu amor.

Este capítulo 15 de João, entre os versículos 9 e 17, é um verdadeiro hino à amizade, modelo para um amor gratuito, generoso, universal. 

“Ninguém é uma ilha” na expressão de Thomas Merton. Refere que o ser humano é “ser em relação” e só é feliz se encontra nos outros, se se encontra nos outros, o sentido da própria vida. 

Ser com os outros, viver em solidariedade, construindo, comungando, são desafios maravilhosos que apenas são possíveis na construção da amizade verdadeira. 

A amizade não pode ser simples conhecimento, interesse, cálculo, convivência, oportunismo, uso e abuso de boa vontade superficial, conversa fiada. 

Também não é o acaso, curiosidade, rotina, relação social, hábeis tecnologias de boa comunicação ou manipulação. 

Torna-se urgente, imprescindível, redescobrir a amizade, como encontro profundo que permite a partilha de sonhos, da autenticidade, o jogo dos afetos, a capacidade de sacrifício, a compreensão e aceitação da dor, como redenção à realização de um rumo ou do sonho, “...quem quiser passar o Bojador, tem que passar além da dor ... Fernando Pessoa”, a alegria no dom. 

Não à toa, mas com tremenda razão e profundidade se dizia no adágio popular que “quem descobriu um amigo, descobriu um tesouro”. 

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (João 13,34) 

Mas a amizade é diferente do amor universal, é um privilégio enorme que se recebe porque se aprendeu a estar disponível. A estar juntos nos desafios e na identificação. 

As vozes dos poetas são elucidativas. 

“Amigos cento e dez ou talvez mais eu já contei. Vaidades que eu sentia” ... é a expressão de Camilo Castelo Branco, para dizer que amigos verdadeiros são muito poucos. Tão poucos! 

Por isso é preciso dar-lhes tempo, para que a amizade cresça e se solidifique, sempre mais bela, mais comprometida.

Não é possível viver ideais transcendentes, éticos, pretensões de uma cultura de fraternidade, sem dar tempo aos amigos verdadeiros, os amigos únicos, que nos aproximam da verdade incomensurável de nossa fé. 


Resp. Ir. Erasmo Figueira Chaves, M.I.
ARLS Luz de Luxor, No. 531 - GLESP

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Maná da 2a. - Investindo na Capacitação de Outros

Minha esposa Louise e eu estivemos fora da cidade por alguns dias. Ao retornar à nossa Cafeteria e notei uma banqueta de bar no quarto dos fundos. Tinha sido colocada lá por causa de alguns parafusos frouxos. Peguei uma chave de fenda, apertei os parafusos e coloquei-a de volta ao balcão, deixando-a outra vez disponível para nossos clientes. Foi quando me ocorreu que qualquer um de nossos 15 empregados teria sido capaz de apertar esses parafusos e consertar a banqueta. Mas, em vez de esperar que um deles tomasse essa iniciativa, entrei em ação.

Quando contei esse episódio para outros proprietários de pequenos negócios, concordaram que esse tipo de problema é comum. Nos tornamos tão acostumados a resolver problemas, que inadvertidamente habituamos nosso pessoal a esperar que abordemos seus problemas, não importa o quão pequenos possam ser.

Me dei conta de que, não permitindo ou não insistindo que outros solucionem os problemas quando eles ocorrem, crio muito mais trabalho para mim e, ao mesmo tempo, impeço o crescimento do negócio e dos funcionários. Talvez por isso muitas empresas exigem que uma nova pessoa assuma a liderança, para que o negócio cresça e atinja nível mais elevado. O empresário fundador simplesmente não está disposto – ou não está capacitado – a delegar responsabilidades de modo apropriado. Creio ter aprendido a lição, mas a verdade é que fazer as coisas eu mesmo já faz parte da minha estrutura. “Capacitar” outras pessoas não é algo fácil para mim.

Parece que, em se tratando de negócios, há basicamente dois tipos de pessoas: (1) o tipo corporativo, que pode dizer com facilidade: “Este não é meu trabalho” e, (2) o tipo empresarial, como eu, que pensa que tudo é trabalho dele. Pela minha experiência parece difícil encontrar um terreno intermediário.

A capacitação de outros – delegação de autoridade e responsabilidade – é tema recorrente na Bíblia. No livro de Gênesis, Deus levou Noé a construir uma arca para se tornar um santuário para sua família e os animais que seriam preservados do dilúvio (Gênesis 6:9-22). Antes disso, lemos sobre a criação do mundo por Deus. Portanto, teria seria bem fácil para Deus construir a arca Ele mesmo. Ao invés disso, Ele atribuiu essa tarefa a Noé. Na libertação dos israelitas da tirania do Egito, Deus guiou Moisés para ser Seu mensageiro e guiasse o povo à Terra Prometida. Depois de permitir que Moisés avistasse a Terra Prometida do alto do monte Nebo, Deus delegou essa responsabilidade para Josué, assistente de Moisés.

O maior exemplo de líder delegando autoridade é encontrado depois da ressurreição de Jesus e Seu aparecimento aos Seus seguidores. Pouco antes de Sua ascensão, Ele lhes disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, ensinando-os a obedecer a tudo o que Eu lhes ordenei” (Mateus 28.18-20).

Se o Deus Todo-Poderoso acha apropriado delegar parte do Seu trabalho a outros, não deveríamos fazer o mesmo?

Próxima semana tem mais!

Texto de autoria de Jim Mathis, diretor executivo do CBMC em Kansas, Missouri e que, em conjunto com a esposa Louise, dirige uma Cafeteria. Tradução de Mércia Padovani. Revisão e adaptação J. Sergio Fortes (fortes@cbmc.org.br).

MANÁ DA SEGUNDA® é uma edição semanal do CBMC INTERNATIONAL, uma organização de âmbito mundial, não-denominacional, fundada em 1930, com o propósito de compartilhar Jesus Cristo com a comunidade profissional e empresarial.

© TODOS OS DIREITOS RESERVADOS PARA CBMC BRASIL , CP. 1515, Barueri, SP, 06493-970. E-mail: liong@cbmc.org.br -A distribuição em sua íntegra é desejável, mas a reprodução parcial ou integral requer prévia autorização. Disponível também em alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e japonês.
Questões Para Reflexão/Discussão

1. Em que tipo de empresário você se enquadra: o tipo corporativo, que diz “Isto não é meu trabalho”, ou o tipo empresarial disposto a fazer o trabalho dos outros?

2. Por que é tão difícil delegar responsabilidade e autoridade para outras pessoas? Você se lembra da vez em que alguém relutou em confiar-lhe uma responsabilidade que você sentia ter conquistado? Como você se sentiu?

3. Que acha dos exemplos citados da Bíblia, em que Deus delegou autoridade e responsabilidade para outras pessoas? Como compararia isso com as circunstâncias do seu cotidiano?

4. Você se lembra de situações em que deixou de delegar a outros um trabalho, de que eram perfeitamente capazes de realizar? Como você poderia ter evitado isso?

Se desejar analisar outras passagens sobre esse assunto, consulte: II Reis 2.1-22; Mateus 10.1-16; Colossenses 4.7-9; I Tessalonicenses 3.1-5.