domingo, 17 de maio de 2020

FIDELIDADE


Os dicionários registram que a palavra “fidelidade” é o atributo ou a qualidade de quem ou de que é fiel para significar quem ou o que conserva, mantém ou preserva suas características originais, ou quem ou o que mantém-se fiel à referência. A fidelidade implica confiança e vice-versa, e essa relação de implicação mútua aplica-se quer entre duas pessoas ou mais, quer entre determinado sujeito e objeto sob sua consideração, que, a seu turno, igualmente pode ser abstrato ou concreto.

A palavra “verdade”, na Bíblia, onde é muito citada, tem o sentido de “fidelidade”. Isto é, os adeptos são verdadeiros ou falsos à medida que são fiéis ou infiéis. A Bíblia está ensinando que somente o espírito da verdade pode conduzir à plena verdade. Por exemplo: Em Provérbios 28;20 é citado que “um coração fiel é essencial para que recebamos recompensas divinas; a verdade faz com que o Senhor cumule bênçãos sobre nós”. A verdade, aí, tem sentido de fidelidade.

Simbolicamente, fidelidade é representada com a figura de âncora. A âncora remete à estabilidade com o nosso ser entre as relações que estabelecemos. Mesmo em meio as tempestades ela é capaz e fornecer segurança, seja para os barcos ou passageiros.

Fidelidade, na Maçonaria, tem um alto significado ! Ao ser Iniciado, o neófito assume um compromisso voluntário e moral quando dos juramentos (sem sofisma, equívoco ou reserva mental) de praticar a fidelidade em sua essência. Essa fidelidade se alicerça na sua liberdade de expressão e ação, sem se desvirtuar à ideia de limite. A fidelidade está na convivência com seus semelhantes.

Há uma distinção entre a fidelidade no mundo profano (como nos referimos ao ambiente fora da Maçonaria) e a fidelidade com calor, na Sublime Ordem,.que está calcada na voluntariedade. A dignidade humana e a hombridade na postura, qualidades inatas no legítimo Maçom, estão aliadas e caminham junto à fidelidade.

O Espírito de Fidelidade é o Espírito da Verdade. O espírito que permite-nos recordar as passagens durante a Iniciação quando ficaram configurados, através dos juramentos, o cumprimento dos preceitos da Ordem. E se o espírito nos anima, a questão é como estamos sendo fiel à instituição que nos indica o caminho da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, cultivando a virtude de ser fiel ao verdadeiro Espírito da Maçonaria Universal. Ser fiel é uma virtude Maçônica revestida de atitude !

Ao seguir uma via espiritual, ou quando se é admitido numa Ordem no modo esotérico-iniciática, como é a definição da Maçonaria, é costumeiro o novo membro efetuar um juramento no ato da sua admissão, no qual está implícito um determinado compromisso. O neófito é recebido e integrado na Ordem somente depois de efetuado esse juramento.

É a mais abominável forma de egoísmo a que leva o Obreiro a negligenciar o aproveitamento do tempo, o cuidado com a comunidade, achando-se diretamente sob as vistas da entidade. Esse Obreiro, talvez, imagine que suas negligências não sejam observadas e registradas. Se estiver atento veria que a Loja o contempla e todo o seu descuido é registrado.

Por essa razão, espera-se que o Maçom reitere seu juramento com sua frequência nas sessões de sua Loja, dedicando-se de corpo e alma à prática da moral, da igualdade, da solidariedade humana, da justiça e, principalmente, da fidelidade em toda a sua plenitude.

O Maçom é taxado como sendo livre e de bons costumes e sensível ao bem e que, os ensinamentos recebidos em Loja lhe propicia o engrandecimento como ser humano atuante e culto, combatendo a ignorância. A ignorância é o vício que mais aproxima o Homem do irracional.

Dessa forma, através da fidelidade à Sublime Ordem, o Maçom deve conduzir-se com absoluta isenção e a máxima da honestidade de propósitos, coerentes com os princípios Maçônicos, para ser um Obreiro útil a serviço da Maçonaria e da Humanidade.

O Maçom tem de acreditar na sua missão sabendo que há uma diferença entre o seu comportamento, como Maçom e aquele que não é iniciado. Essa diferença nasce de pertencer à uma instituição que traz em sua bandeira a fraternidade aliada à fidelidade, onde há a busca constante de aprimoramento em suas atitudes, ações e palavras, cultivando em seu íntimo o papel de trabalhar para tornar feliz a Humanidade.


E. Figueiredo
Jornalista (Mtb 34 947) e membro da
A.R.L.S. VERDADEIROS IRMÃOS, No. 669 – Oriente de São Paulo

e dos seguintes grupos de estudos:
CERAT – Clube Epistolar Real Arco do Templo
GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos Athenas
GEMVI – Grupo de Estudos Maçônicos Verdadeiros Irmãos
Grupo Maçonaria Unida



Obras consultadas

Bayard, Jean-Pierre - A Franco-Maçonaria Gómez, Javier Abad - Fidelidade Houaiss, Antônio -Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa Ludy, Eric & Ludy – Sua Perfeita Fidelidade Sabatino, Luiz - Fidelização - A Ferramenta de Marketing Bíblia Sagrada Ritual de Aprendiz - GLESP

sábado, 2 de maio de 2020

V.I.T.R.I.O.L.

Antes de adentrar ao tema em si, gostaria de fazer uma breve auto apresentação. Fui iniciado em nossa Sub. Ord. em junho de 2004, na A.R.L.S. Unitas et Unitatis nº 549, GLESP, que trabalha no Ritual de Emulação, em cuja ritualística não há Câmara das Reflexões (C.R.) e, portanto, não inclui nada a respeito do V.I.T.R.I.O.L. Talvez, por esta razão, este tema me fascine tanto.

Permanecí naquela Loja por cinco anos, tendo sido, então, filiado a A.R.L.S. Esperança, nº 181, GLESP, onde permaneço como membro ativo e tenho a honra de ter servido como seu V.M. na gestão de 2018/2019.

Recentemente, participei de uma palestra virtual apresentada pelo Resp. Ir. Kleber Siqueira, que disse uma frase, entre tantas, que me marcou muito: “A Maçonaria é para a vida toda”! E é assim que todos devem encará-la, porque seus ensinamentos são infindáveis e, quanto mais estudamos seus mistérios, mais dúvidas nos brotam e nos provocam a permanecer estudando e nos aperfeiçoando.

Não à toa, que em nossa Loja há irmãos octogenários e septuagenários e todos ávidos de continuar a “desbastar” a P.B. buscando luzes para reduzir e, se possível, eliminar as trevas do obscurantismo que naturalmente querem prevalecer e predominar sobre a humanidade.

Para finalizar esse preâmbulo, conto a lenda que um palestrante que costumava viajar por diversas regiões e visitar diversas cidades, sempre em companhia do seu motorista de longa data. Certa vez, em uma dessas viagens o motorista comentou com o palestrante que, após tantas palestras que já havia assistido, já tinha tanto conhecimento sobre a matéria, as dúvidas e as perguntas, que ele poderia dar a palestra e ninguém perceberia que não se tratava do mestre. E lançou o desafio de realizar um teste real. O palestrante topou o desafio e o motorista passou a ministrar as palestras alternadamente com o mestre. Porém, em uma dessas palestras que o motorista apresentava, surgiu uma dúvida e uma pergunta que o motorista não soube responder. Aliás, não tinha nem ideia da resposta. Neste momento, sem se fazer de rogado, olhou o interlocutor com desdém e, apontando para o mestre na primeira fila, disse: “Esta questão é tão tola, que até o meu motorista poderá responder”!.

Assim, ao final, quando me forem apresentadas questões, vou pedir aos meus "motoristas" aqui presentes, queridos irmãos Kleber, Furlan, Marco Antonio, Sidney Chica, entre outros, que as respondam...! 😊

Dito isto, passemos ao tema propriamente dito.

Entretanto, não se pode falar em VITRIOL sem, antes, situá-lo no tempo e no espaço. Assim, em qual momento e onde tomamos contato com este misterioso e instigante acrónimo.



Indo direto à resposta desta indagação inicial, conforme determinado pelo Ritual do Aprendiz Maçom do R.E.A.A., após O CANDIDATO estar convenientemente preparado para a a cerimônia de iniciação, é então introduzido em um quarto devidamente mobiliado e decorado onde será deixado em solidão e quietude para um período de introspecção. Esse local,construído em uma área afastada da sala de reuniões ou templo, especialmente preparado e destinado ao uso com exclusividade nesta cerimônia, denomina-se Câmara de Reflexões.

Assim, já se percebe que o momento do contato com a C.R. ocorre antes mesmo da entrada ao templo e que pela sua relevância e simbolismo, este espaço poderia ser até mesmo comparado com um útero materno e por extensão com o útero de uma Loja Mãe, ou seja, a Loja onde cada um dos Maçons foi admitido e ingressou por meio de um ritual de iniciação em nossa Ordem. Essa analogia foi assim sugerida por Gabriel Wendel, porque será ali que o Candidato será "gestado" para então nascer para a vida maçônica.

Desta forma, necessário se faz relembrar que a C.R. trata-se da primeira prova pela qual o candidato deverá passar, a prova da TERRA e, em local que irá representar sua morte simbólica e, mais ainda, uma “descida ao inferno” para que, ali estando, possa renascer para uma nova realidade, na condição de MAÇOM e, do fundo do inferno, se lançará à conquista do Céu”.

Eu vejo este local como sendo o símbolo de um sepulcro, como os túmulos dos antigos nos tempos bíblicos. Assim, a câmara indica, ao mesmo tempo, um começo e um fim: o fim da vida como profano e o começo de uma nova vida como iniciado em busca de luz, verdade e sabedoria, ou seja, a C.R. seria o local para alguma forma de ressurreição.

VITRIOL

 

E, além do VITRIOL, o que mais encontramos na C.R.?



O Ritual cita que se trata de um cubículo que deverá estar iluminado apenas por uma vela, onde haverá uma cadeira e uma mesa, onde estarão os seguintes itens: papel, caneta e uma campainha.

Deve haver imagens de um esqueleto humano – ou pelo menos o crânio e as tíbias – algumas expressões, entre elas “Vigilância e Perseverança”, além do VITRIOL.





Em outros rituais, temos também pão, água, sal e enxofre, representando o “Pão e o Sal”, sob o signo da hospitalidade, por se tratar de alimento que era oferecido ao viajante; junto com a “Água” eles representam o menu frugal do sábio em vias de se desembaraçar das paixões humanas; O “Enxofre” servia aos Alquimistas, que serão melhor explicados a seguir, como valores simbólicos às suas conjunções”.

Assim, era entre a dicotomia configurada pelo ternário de símbolos de esperança, protagonizado pelo Pão, pela Água e pela Luz e o ternário de símbolos de desolação, materializado pelo Sal, pelo Enxofre e pelo Crânio que o recipiendário deveria escolher.

Juntamente com os ossos cruzados, o crânio naturalmente se refere à mortalidade e está ligado às referências alquímicas também presentes na Câmara. Apenas como complemento, há estudos que ensinam que a alquimia teve sua origem na Tábua de Esmeralda, capítulo que faz parte da obra “Secretum Secretorum” (“Segredo dos Segredos”), um dos livros mais lidos da idade média por conter os maiores e mais poderosos segredos sobre o universo; desde a astrologia e propriedades mágicas e medicinais de plantas e minerais, numerologia, e acima de tudo, o segredo sobre uma ciência unificada, escrito por Hermes Trismegisto, filósofo e legislador egípcio ou grego, que viveu por volta de 1.330 a.C. ou até mesmo antes desse período. Dai percebe-se que pouco se tem de concreto sobre sua existência, mas, apenas de suas 36 obras sobre a criação do Universo, todas as suas formas e potencialidades.



Os alquimistas pretendiam transmutar metais comuns em prata e ouro através do processo de putrefação. Assim, o profano deve transmutar sua natureza, através de um enterro simbólico na câmara, em um novo homem transformado na forma de um iniciado. Na alquimia, isso é chamado de “A Grande Obra”. De fato, o refinamento, transmutação e transformação, do homem, de um metal base bruto em ouro, exige um grande trabalho! O crânio da alquimia lembra o declínio e a decadência. Lembra também a universalidade das espécies.

Em outros rituais e outros Ritos, neste local deve constar também uma ampulheta, para nos lembrar de nossa mortalidade, transmitindo que o tempo passa rápido e, com isso, devemos fazer bom uso do tempo que nos foi concedido e que ainda nos resta e está associada à perseverança.

Já a palavra Vigilância está associada à figura do Galo.

Essas duas palavras e seus símbolos indicam ao candidato que ele deve possuir essas qualidades para ter sucesso em sua vida maçônica.

Feitas estas considerações que entendo importantes, passemos ao tema “em tela”.

Então, estando na tal da Câmara de Reflexões, o Candidato se depara com o V.I.T.R.I.O.L., do qual não possui a menor ideia do que se trata.

Somente depois vem a aprender que se trata de um acrónimo da expressão: “Visita interiora Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem”.

Está bem, mas, como pode ser traduzida?
De algumas formas, como as que seguem:

Visita o interior da terra e, retificando, encontrarás a pedra oculta.

Visita o interior da terra e, seguindo em linha reta, em profundidade, encontrarás a pedra oculta.

Visita o interior da terra e, retificando, acharás a lápide oculta.

Visita o interior da terra e ao retificar – através das purificações - encontrarás a pedra oculta dos sábios.

Visita as entranhas da terra. Retificando, encontrarás a Pedra oculta.


Então, agora já sei o(s) seu(s) significado(s) e podemos acabar por aqui, certo ? ERRADO !!

É aí que começamos nosso aprendizado.

Falando no sentido esotérico, esta frase em latim que é preciso procurar dentro de si mesmo, pois a verdade está escondida ali, e essa verdade é a verdadeira solução para nossos problemas.

Ora, a partir do momento em que devemos construir nosso Templo Interior, nada melhor que comecemos nossa iniciação “visitando a nós mesmos”.

Essa formula hermética, divisa dos antigos rosa-cruzes, é comumente atribuída a Basílio Valentim, alquimista do século XV e possível monge beneditino, cuja real existência é duvidosa, justamente por seu nome significar, em grego, “régulo poderoso”, como os alquimistas chamavam o elemento “mercúrio”.

Para esclarecer, os Alquimistas praticavam uma ciência mística conhecida como química da Antiguidade ou da Idade Média, que tinha como principal objetivo a transmutação de um elemento em outro.

Assim, seus objetivos seriam criar a pedra filosofal, visando transformar metais não preciosos, como o simples chumbo, em ouro, este sim um metal altamente precioso e valioso.

Além disso, buscavam a criação do elixir da longa vida ou da imortalidade, que, como o nome mesmo diz, tornaria quem tomasse de tal elixir, imortal, ou, pelo, prolongaria sua existência.

Contudo, aplicado aos Maçons, segundo Serge Hutim:
A procura do ouro é na realidade, a descoberta de tesouros incorruptíveis e puramente espirituais. Aquele que quer trabalhar na grande obra deve visitar a sua alma, penetrar no mais recôndito do seu ser e nele efetuar um labor oculto, misterioso. Como o grão deve ser sepultado no seio da terra, assim, aquele que ouve o apelo de Deus deve, corrigindo-se, retificando-se, livrando de suas asperezas e irregularidades, obter a sublime transmutação do carneiro (ossuário) natal, imunda matéria negra, fazendo-se do carvão esplendido diamante, e do chumbo vil, ouro puro. Encontrará assim a pedra oculta que nele guarde”.

É o nosso ser que é preciso depurar, ou seja, tornar puro, retirando as impurezas; limpar: a fase de putrefação pela qual passa a Pedra Filosofal, movimento de descida em que o indivíduo acredita tocar o fundo do abismo, mas que é necessário à progressão ulterior. Trata-se, como o que diz René Guenon, de fazer voltar a ser a um estado de simplicidade indiferenciada, comparável... ao da matéria prima... a fim de tornar-se apto a receber a vibração do “Fiat Lux” iniciático.

Assim, ao falar em retificação o VITRIOL convida o Candidato a promover uma purificação através dos elementos, e isto é a Pedra Oculta, ou a Pedra Filosofal, que, segundo José Castellani, “transformaria os metais inferiores em ouro”, sinalizando para que o homem conheça o seu interior, o seu âmago, o ser íntimo que habita o seu corpo”, ou, ainda, pelo ensinamento de Walter Pacheco Jr., esta “expressão lembrará ao Candidato que, na Maçonaria, o mesmo se dedicará à construção moral do eu interior”.

Tudo que envolve o VITRIOL é alquímico, mas, também, filosófico e hermético. Assim, esta fórmula determina que, não apenas o Candidato, mas, em verdade, o Maçom, “desça à profundidade da Terra, abaixo da aparência exterior que esconde a realidade interior das coisas e as revela; corrigindo o seu ponto de vista e a sua visão mental com o esquadro da razão e do discernimento espiritual, encontrarás a pedra oculta ou filosofal que constitui o Segredo dos Sábios e a verdadeira sabedoria”.

A representação da Verdade em uma pedra é de fácil compreensão, na medida em que temos que construir nosso Templo, base sobre a qual repousa o edifício de nossos conhecimentos e, para tanto, precisamos de pedras, mas, tanto a pedra, como o templo, são simbólicos e filosóficos.

Então, devemos ver quantos ensinamentos são passados ao Candidato, antes mesmo dele ser admitido ao Templo, porque, a Pedra Filosofal que estamos tratando nada mais é senão a Pedra Cúbica dos Franco-Maçons.

Assim, verifica-se que não basta conhecer o que significa cada letra e nem tampouco sua tradução, mas, sim, seu significado amplo e esotérico.

Então, logo no início temos:

Visita (V.) – movimento. A Maçonaria não pode ser inerte, tem que haver constante ação. Costumo dizer que o Maçom deve ser pró- ativo, ou seja, não basta não errar, ele tem que agir e acertar.

Seguindo...:
Interiora Terrae (I.T.) – qual terra ? Nós mesmos, porque para a Maçonaria, antes de tentarmos, na fala do Ir.’. Chanceler, na abertura dos trabalhos, “tornar feliz a humanidade”, devemos nos preparar. Então, o movimento inicial deve ser sempre para nós mesmos.

Rectificandoque (R.) – modificando, melhorando, lapidando, aparando as arestas e asperezas, purificando. Quem ? Ora, nós mesmos. Necessário lembrar que para ser admitido como Maçon, basta crer num Ente Superior e acreditar em uma vida futura (19º e 20º Landmarks), além de ser livre e de bons costumes. Mas, será através do constante exercício de retificação que nos transformaremos de P. B. em P. C.

Invenies (I.) - acharás, descobrirá, encontrará. Em Eclesiastes, temos um texto em que o agente busca incessantemente, mas, “ainda não encontrou o que ele procura”. Esta passagem foi depois transformada na excelente música da Banda Irlandesa U2, sob título “I Still Haven't Found What I'm Looking For”.

Este é o ponto, o cerne da questão. Não basta procurar, temos que efetivamente achar o que estamos procurando.

Sempre me recordo da passagem no filme/desenho “Alice no País das Maravilhas”, baseado na brilhantes da obra do escritor inglês Lewis Carroll, na qual a protagonista Alice, ante uma bifurcação na estrada, pergunta ao Gato de Cheshire, qual o caminho a ser seguido. Ele pergunta: você sabe para onde vai? Ela responde que não... e, então, ele diz: então, tanto tanto faz...!

Acontece que nós sabemos o que estamos procurando e é justamente a...

Occultum Lapidem (O.L.) – a pedra oculta ou, mais, precisamente, a Pedra Filosofal, ou seja, o objeto simbólico que fará esta transmutação de material comum em material precioso, que, tal objeto, nada mais é que o “interior espiritual” do próprio homem.
Sendo assim, deve haver uma “descida”, em todos os aspectos do ser humano, portanto não é suficiente conhecer-lhe a tradução, mas o seu significado amplo e esotérico.

Assim, tendo esta definição, conseguimos entender melhor que se trata de operação alquimista simbolizando os diversos níveis de transformação, seja dos metais em ouro ou, mais especificamente, no nosso caso, do ser humano em sua versão mais perfeita, através de sua luz interior.

Ela é a lei de um processo de transformação que consiste no retorno do homem às profundezas do seu Ser, o que equivale a dizer: desça ao mais profundo de si mesmo e encontre seu tesouro escondido, sua luz divina, através da qual poderá reconstruir-se em um Novo Homem.

Descendo ao fundo do seu inconsciente, degrau por degrau, o homem se reconecta conscientemente consigo mesmo, se reconhecendo a cada passo, isto é, retomando a consciência de si mesmo em cada dimensão - física, emocional, mental e espiritual, ele se reconstrói um homem novo, vibrando na dimensão que integra todas as outras – a da consciência divina. Incluo o espiritual, não como religiosidade, mas porque esse processo de abertura ao encontro consigo mesmo, essa caminhada interior é sagrada e, a cada conquista, a consciência divina impõe ao indivíduo uma nova exigência – a de se confrontar com zonas mais profundas de si mesmo, ligadas a uma verdadeira experiência espiritual de revelação do ser divino que cada um é. Por isso, quanto mais profundo o homem desce em seu mundo interior mais a sua consciência se eleva.

Quanto mais procuramos um mundo mais bonito, mais luminoso em nossa consciência interior, mais nos elevamos e nos melhoramos. É assim que, pouco a pouco, o indivíduo se transforma de dentro para fora, tornando-se um novo homem.

Esse processo de transformação interior, que se reflete em seu mundo exterior, começa com a aceitação do estado em que se encontra, seja em que ponto for.

Nessa caminhada, à medida que se liberta, ele descobre também seu potencial divino de amor, intuição e criatividade, manifestando-o em sua vida cotidiana.

Trata-se, portanto, de descobrir, a partir da consciência de si mesmo, a presença imanente e transformadora da luz divina em seu Ser profundo.

Livre das sombras do seu inconsciente, a consciência desse novo homem não se limita mais à dimensão física, emocional, mental ou espiritual. Ele vive como todo mundo, com suas emoções, seus sentimentos, suas necessidades, sem perder-se afogando-se nas emoções. Tendo descoberto o amor a si mesmo, ele é capaz de amar o outro, sem confundir o ser com o fazer. Isto é, como ser humano, ele é capaz de não gostar do que o outro faz, sem deixar de amá-lo. O que o diferencia dos outros é a sua consciência que está re-conectada com a dimensão mais elevada. Estando em paz consigo mesmo, ele é capaz de viver em paz com todos, respeitando as diferenças que, para ele, é mera complementaridade. Por isso, ele pode compreender os acontecimentos do seu cotidiano e do mundo no qual vive de maneira ampla, global, holística.

A verdadeira iniciação é um processo interno, individual. Como nos ensina o Ir. Hélio L. Da Costa Jr., ninguém pode transformar um homem além de si mesmo. Outros podem até orientar e ajudar, mas, no final das contas, o indivíduo é o único que pode realizar o grande trabalho.

CONCLUSÃO

Como sempre faço em meus trabalhos, esta é a penas uma provocação, não possui a ilusão de explorar todos os significados do tema, mas, ao contrário, despertar mais dúvidas que certezas, motivando o leitor a se aprofundar mais e crescer culturalmente, sempre engrandecendo nossa Sub.’. Ord.’.

E é justamente disto que trata, não apenas o VITRIOL, em particular, mas, principalmente a Câmara de Reflexões, como um todo que, na minha ótica, deveria ser melhor esclarecida ao Aprendiz, para que ele tivesse uma base mais sólida de ensinamentos e, ainda, que soubesse onde se socorrer nos momentos em que se achasse perdido.

Meu Mestre Oduwaldo Álvaro uma vez me disse, “faça seu VITRIOL” e é com esta frase que finalizo.

Fico à disposição para debates, aguardando que me tragam mais conhecimento, porque a pior coisa é quando se sai vencedor de uma disputa, pois, você acaba saindo da mesma forma que entrou, sem qualquer evolução.



Que o G.A.D.U. a todos ilumine e guarde, hoje e sempre.


Ir. Dennis Fiel, P.M.
A.R.L.S. Esperança, No. 181, São Paulo, G.L.E.S.P.



Bibliografia:-
O aprendiz Maçom – As Benesses do Aprendizado Maçônico, Rizzardo de Camino, Madras Editora. 2000.
Comentários ao Ritual de Aprendiz – Vade-Mécum Iniciático – Nicola Aslan – Editora Maçônica –1977
A Alquimia e o Caminho Invisível - Artigo Publicado no Guia Lotus de Setembro de 1999 – Site da Internet –
VITRIOL, um tônico rejuvenescedor, por Ir. Antônio do Carmo Ferreira; VITRIOL, por Ir. Jose Maria Aparecido Da Paz
Trabalho, conteúdo e imagens obtidas junto a Palestra do Ir. Allan Silvestre dos Santos, realizada no Temp. da A.R.L.S. Esperança, nº 181, em novembro/2018.
A CÂMARA DE REFLEXÃO, por Ir. Hélio L. Da Costa Jr.







sábado, 18 de abril de 2020

SALMO 23 - SIGNIIFICADO


Este Salmo, assim como vários outros, têm sua autoria atribuída ao Rei Davi – Filho de Jessé, o efrateu, do clã de Perez, nasceu em Belém (1040-970 a.C.). De infância humilde, filho de camponeses, tornou-se militar, guerreiro, conquistador de terras, sendo o segundo rei sobre todo o Reino Unificado de Israel.

Pai de Salomão, figura central na Lenda Maçônica, fruto do seu casamento com Bethsaba, morre aos setenta anos de idade após reinar por sete anos como rei de Judá e trinta e três em Jerusalém como rei de todo o Israel.

No ano de 1993, após uma acidental descoberta arqueológica em Israel, provas materiais foram encontradas, comprovando a origem de “pastor de ovelhas” de Davi, bem como, seus escritos
– confirmada sua autenticidade pelo renomado Professor em Israel Avraham Biran.
E foi justamente em função de seus conhecimentos na arte de pastorear ovelhas, que Davi pode ter tido inspiração para escrever este SALMO 23, com alegorias e símbolos, justamente como nós, Maçons, gostamos.

Comecemos, assim, pelo SALMO 23 propriamente dito.



O Senhor é o meu pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do Seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante a mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia divina me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias.


Passemos a dissecar referido Salmo, indo “mais além” do que consta no vídeo a seguir “Guardei a Fé”, muito embora haja outros estudos que negam a autoria de Davi.



O SENHOR é o meu pastor – RELACIONAMENTO

A relação havida entre um pastor e suas ovelhas é envolta em lealdade, tanto da ovelha em relação ao pastor, que sequer se deixa alimentar por outrem, que não seu pastor, nem obedece, nem caminha ao lado de outra pessoa. Por esta razão, sempre vemos a figura do pastor junto com uma criança, pois, na falta do pastor, talvez as ovelhas reconheçam esta criança como novo pastor. Em caso negativo, não poderá ser vendida para tosa, mas, apenas, para o abate.
Por outro lado, cada ovelha não é apenas mais uma a seu pastor, mas, sim, a única, razão pela qual, como nos ensinam as SS. EE., ele é capaz de abandonar 99 ovelhas para resgatar uma, para, depois de recuperá-la, comemorar juntamente com as demais.
Assim, esta primeira parte fale do relacionamento havido entre nós e D’us, nossa devoção, respeito e entrega.
E é assim também que o próprio Jesus, o Cristo, se apresenta, como o Bom Pastor, como se observa em JOÃO – 10:11 – “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”.

Nada me faltará – SUPRIMENTO

Neste aspecto, não falamos sobre ter tudo o que desejamos, mas, que não faltará o básico, não teremos privações. Eu entendo isto não apenas em questões materiais, mas, mais importante, acolhimento.
Por isso que a melhor definição para “suprimento”, na minha opinião, é “Doação, fornecimento ou entrega do necessário para que algo se realize”.

Deitar-me faz em verdes pastos - DESCANSO

Tão importante quanto o trabalho, está o descanso; não à toa, na Genesis, D’us “descansou no sétimo dia” – Genesis - 2:2 – “No sétimo dia, Deus já havia terminado a obra que determinara; nesse dia descansou de todo o trabalho que havia realizado”.
Mas, na verdade, veja que D’us “não descansou”, porque o que realmente está escrito no original é SHABAT – parou de trabalhar. E por qual razão parou ?
Primeiro, porque já havia concluído sua obra e, portanto, poderia “repousar/descansar”, como de fato repousou. Em segundo, para esclarecer que, a cada período de 07 (sete) dias, um deve ser direcionado ao descanso.

Guia-me mansamente a águas tranquilas – CUIDADO

Ali nos explica que as ovelhas sentem muito medo, por não terem qualquer forma de defesa – não possuem garras, dentes afiados, chifres para batalha e nem veneno. Com isso, tudo lhes assusta, até mesmo “águas agitadas”, onde elas preferem não se inclinar para beber. Por esta razão que D’us, com todo o cuidado possível, procura “águas tranquilas” para levar seu rebanho.

Refrigera a minha alma – CURA

É parte da cura o desejo de ser curado. – Séneca.
Entendo neste aspecto que trata-se mais de uma CURA espiritual que física, propriamente dita, até porque, fala em alma e não em corpo.
Filosoficamente falando, alma é o conjunto das atividades imanentes à vida (pensamento, afetividade, sensibilidade etc.), entendidas como manifestações de uma substância autônoma ou parcialmente autônoma em relação à materialidade do corpo.
Segundo o espiritismo, a alma é o espírito encarnado consistindo-se no princípio inteligente do Universo, ser real, circunscrito, imaterial e individual que existe no ser humano e que sobrevive ao corpo, estando sujeita à Lei do progresso, ou seja, a se aperfeiçoar por meio da reencarnação em várias encarnações progressivas até atingir a perfeição, o estágio de Espírito Puro, quando não tem mais a necessidade de reencarnar.
Ainda segundo o espiritismo, a alma, ou espírito encarnado, é ligada ao corpo por um envoltório semimaterial chamado perispírito.
Assim, a palavra refrigera pode ser substituída por cura.

Guia-me pelas veredas da justiça – DIREÇÃO

Uma obra clássica escrita em 1865 pelo escritor inglês Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll (27/01/1982-14/01/1898), chamada “Alice no País das Maravilhas” – (Alice in Wonderland) foi ao cinema pela primeira vez em 1951, produzida pelos Estúdios Disney.
Em uma, entre tantas passagens brilhantes da obra, Alice pergunta ao Gato de Cheshire, qual o caminho a ser seguido. Ele pergunta: você sabe para onde vai ? Ela responde negativamente e, então, ele diz: tanto faz ! É com esta passagem que quero ilustrar esta passagem.
O pedido do rebanho, que somos nós, é que D’us os guie na direção correta, ou seja, nas “veredas da justiça”, no caminho do bem. Além disso, o caminho da justiça é reto, não possui desvios, nem para a esquerda, nem para a direita.
Aqui aplicamos o princípio da Física que diz que a “reta é o menor caminho entre dois pontos”.

Por amor do seu nome – PROPÓSITO

Propósito - Grande vontade de realizar ou de alcançar alguma coisa; desígnio. O que se quer alcançar; aquilo que se busca atingir; objetivo. O que se quer fazer; aquilo que se tem intenção de realizar; resolução.
Logo no primeiro mandamento da Lei de D’us temos que: “Não terás outros deuses além de mim”.
Ou, em outra tradução, mais aceita para nós:
“Amar a Deus sobre todas as coisas”. Então, qual deve ser nosso Propósito ? Logicamente, o “amor ao Seu nome”.

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte – PROVAÇÃO

Começamos definindo o real significado de PROVAÇÃO - Situação muito difícil ou excesso de sofrimento que testa a capacidade de superação de um indivíduo, sua fé religiosa, seus preceitos morais, suas convicções: cada um tem a provação que é capaz de superar.
Assim, não devemos temer atravessar o pior caminho, nossa pior “provação”, pois, colocando nossa fé em jogo, não seriamos atacados.
Neste momento, gosto de fechar os olhos e imaginar este tal “vale da sombra da morte”, assim como, mais para frente, imaginar a “mesa com meus inimigos”. É uma experiência interessante e nos prepara para situações adversas ao longo da vida.

Não temeria mal algum – FÉ

Ainda que a palavra que define esta passagem seja a fé, não pode estar dissociada da frase anterior, que trata justamente do tal do “vale da sombra da morte”.
E é justamente neste local, por pior que seja ele, que não teremos medo, em razão da fé que temos no Altíssimo e em sua proteção.
Não podemos ainda esquecer que a Fé é uma das Virtudes Teologais e, inclusive, a mais importante, segundo a Epístola de Paulo aos Coríntios, que encontra-se em sua íntegra ao final e que ora destaca-se o seguinte:
“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor”.

As virtudes teologais existem como complemento às virtudes cardinais e são três:
: através dela, os cristãos creem em Deus, nas suas verdades reveladas e nos ensinamentos da Igreja, visto que Deus é a própria Verdade. Pela fé, "o homem entrega-se a Deus livremente. Por isso, o crente procura conhecer e fazer a vontade de Deus, porque «a fé opera pela caridade» (Gal 5,6)".
Esperança: por meio dela, os crentes, por ajuda da graça do Espírito Santo, esperam a vida eterna e o Reino de Deus, colocando a sua confiança perseverante nas promessas de Cristo.
Caridade (ou amor): por meio dela, "amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da lei". Para os Católicos, a caridade é «o vínculo da perfeição» (Col 3,14), logo a mais importante e o fundamento das virtudes. O Amor é também visto como uma "dádiva de si mesmo" e "o oposto de usar".

Porque tu estás comigo - FIDELIDADE

Voltamos à história que D’us, sendo nosso Pastor e nós, como seres únicos aos Seus olhos, será fiel a nós e jamais nos abandonará. E, estando nós ao Seu lado, não há mal neste mundo que poderá nos atacar e nos derrotar.
A palavra fidelidade tem como sinônimo lealdade, ou seja, honra e honestidade. Assim, é nesta passagem que declaramos nossa lealdade ao Todo Poderoso e que nada ou ninguém nos fará trair este sentimento.

A tua vara e o teu cajado me consolam – ESPERANÇA

Já analisamos o caráter da ESPERANÇA, outra das três verdades teologais.
Aqui, vale lembrar que, embora a seja, das três, a mais importante, é justamente a Esperança que não poderá acabar jamais.
A chama da esperança jamais se apaga !”.
Nesta passagem traremos algumas considerações à vara e ao cajado, ou seja, uma vara cuja extremidade superior possui o formato de um gancho.
O que poucas pessoas sabem é que o cajado tem função tripla, onde uma parte é o cajado como um todo, a segunda, uma vara e, finalmente, desta-cando-se o gancho da vara, temos uma arma.
Com isso, a vara é utilizada batendo delicadamente na ovelha que se desvia do rebanho, fazendo com que retome a direção correta (* já falamos disto anteriormente).
O cajado, como um todo, será utilizado para resgatar uma ovelha desgarrada que, por ventura, tenha caído em um buraco ou mesmo na água.
Finalmente, o gancho, usado como arma, é usado em defesa do rebanho, contra qualquer predador, seja ele um animal ou mesmo de um ladrão.
Com isso, percebe-se que o cajado possui função protetora (usado como arma), salvadora (usado para resgatar) e, ainda, disciplinadora (usado para manter o rebanho no caminho).
Com isso, percebemos que o cajado poderá nos dar a consolação (Alívio dado à aflição, à dor de alguém; lenitivo, conforto, consolo), justamente pelo seu caráter protetor, salvador e disciplinador.

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo - CONSAGRAÇÃO

Consagração – dedicar-se a Deus.
Pense em uma situação, onde, talvez você tenha feito algo muito errado e, por esta razão, feito inimigos.
Mas, ai, o próprio Senhor D’us prepara um banquete onde se encontram várias pessoas, dentre eles, os seus inimigos. Acontece que, como bom anfitrião e, ainda, conforme costume oriental em que o convidado é um protegido, ele “unge sua cabeça”, ou seja, ele não quer saber dos seus pecados, ele apenas quer dizer que você é Seu amigo e, agora, mais que isso, recebido no seio de Sua morada, nesta, ou em outra vida.
De fato, Davi cometeu vários deslizes, inclusive no fatídico episódio com Bethsaba, onde, após engravidá-la, conspirou para a morte de seu marido, o que o impediu de erguer um Templo dedicado a D’us – em razão do sangue que havia em suas mãos – ficando tal tarefa a cargo de seu filho e sucessor, o Rei Salomão.
Assim, o que desejava Davi era ser ungido pelo Senhor - ungir a cabeça com óleo ou ungüento era prova de consideração que o hospedeiro algumas vezes dava aos seus hóspedes (Sl 23.5 – Mt 26.7 – Lc 7.46 – Jo 11.2 – 12.3).
Acredito eu que, partindo da premissa que amigo de meu amigo é meu amigo, após sua consagração, seus inimigos passaram a ser seus amigos e ele obteve o perdão de todos.

O meu cálice transborda – ABUNDÂNCIA

Os dicionários nos ensinam tratar-se a abundância do seguinte:
Quantidade excessiva de; uma grande porção de; fartura: abundância de alimentos, de indivíduos.
[Por Extensão] Excesso do que é necessário para viver; bens em exagero; fortuna: estava vivendo na abundância.
Neste aspecto, entendo que o indivíduo já possuía o necessário para viver – Nada me faltará - mas, agora, além disso, ele deseja mais.
Ora, qual a imagem que lhe vem à mente quando se ouve esta expressão – meu cálice transborda ?
Talvez até mesmo um pouco de desperdício, porque, enquanto uns não têm nada, outros podem até mesmo “desperdiçar”, pois, não lhes fará falta.
Com isso, além do perdão obtido junto ao Senhor, ele recebe em abundância os elementos, não apenas físicos, mas, também, espirituais.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida – BENÇÃO
Tendo como definição “Sentimento de pesar ou de caridade despertado pela infelicidade de outrem; piedade, compaixão. Ação real demonstrada pelo sentimento de misericórdia; perdão concedido unicamente por bondade; graça”, tem uma lindíssima morfologia – pobre coração ou do latim “misericordiae”.
E é justamente isto que o indivíduo deseja, a benção, a graça e a misericórdia divinas.

E habitarei na casa do Senhor – PROMESSA

Justamente porque, após tudo que recebeu, especialmente “a graça divida”, o mínimo que ele poderia oferecer seria sua lealdade (mais uma vez, reiterando), afirmando que seguirá apenas ao Senhor D’us e a mais ninguém.
Promessa e comprometimento.

Por longos dias – ETERNIDADE

Em primeiro lugar, temos que entender o real significado de eternidade, qual seja, “Duração que não tem começo nem fim”.
Ou seja, a promessa feita anteriormente já começou a ser cumprida e assim o será por todo o sempre, sem desvios.

CONCLUSÃO

Este humilde trabalho tem por objetivo atrair maior atenção a este belíssimo Salmo, o mais conhecido e menos entendido, fazendo uma provocação aos leitores, para que possam tirar suas próprias conclusões.
Na verdade, entendo que não devemos interpretar de forma separada nenhum dos 06 versiculos que compõem o Salmo 23, mas, sempre, de forma contínua, até porque, pensar individualmente cada passagem seria negar seu sentido.
Assim, espero que seja útil e que nosso Amado Pai, a quem chamo de G.A.D.U., possa sempre nos iluminar e guardar.
Capítulo 13 da epístola que Paulo fala grandiosamente sobre o amor (em grego ágape) que, em algumas traduções, aparece com o vocábulo caridade:
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria.
A Caridade é sofredora é benigna; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo Sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor.



Ir. Dennis Fiel, P. M.
A.R.L.S. Esperança, No. 181, São Paulo, G.L.E.S.P.




BIBLIOGRAFIA
Assista também os vídeos a seguir:


https://www.youtube.com/watch?v=OgEFamifD9k
https://www.youtube.com/watch?v=4a5eFyRjPj8
https://www.bibliaonline.com.br/
http://www.catolicoorante.com.br/10mandamentos.html
https://www.dicio.com.br/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Salmo_23
Revisão: Lucas Lustosa Mauro

sábado, 23 de dezembro de 2017

Rito York Americano



Esse artigo é um esboço de um trabalho de pesquisa que pretendo desenvolver progressivamente, ao longo dos próximos meses, com o objetivo de criar um bom entendimento a respeito da história, do desenvolvimento e da presente situação dos trabalhos maçônicos conduzidos segundo a estrutura do Rito York Americano (RYA), que, parece-me, ser ainda pouco praticado e relativamente desconhecido da maçonaria brasileira.

Sem dúvida alguma, esse será um trabalho que exigirá a ajuda de experientes irmãos, com os quais tenho a satisfação de conviver fraternalmente.

Um aspecto importante que pretendo abordar com o maior grau de detalhe possível diz respeito ao "como e quando" o RYA chegou ao Brasil, e como está se desenvolvendo e com quais fontes americanas se relacionam para o necessário suporte ritualístico.

Parece-me que, de algum modo, possa existir a possibilidade de um conflito de entendimento quanto à nomenclatura com relação ao Rito de York adotado pelo Grande Oriente do Brasil (GOB). Entretanto, mesmo sendo este um aspecto secundário, vale uma menção inicial para o correto entendimento do objeto deste trabalho.

Os graus simbólicos de Aprendiz Maçom (Entered Apprentice), Companheiro Maçom (Fellow Craft) e Mestre Maçom (Master Mason) conferidos nos Estados Unidos, são graus do Rito de York.

A Maçonaria de York é o mais antigo e conhecido de todos os Ritos Maçônicos. Leva o nome de York, Inglaterra, onde existe o registro mais antigo conhecido da Maçonaria, datado de cerca de 923 DC. O primeiro registro escrito da Maçonaria está centrado em York, a sede da Antiga Loja Grande de York.

Em 1813, esta Grande Loja se fundiu com outro grupo chamado Grande Loja Moderna, para formar a Grande Loja Unida da Inglaterra. Essa é a base sobre a qual nosso atual sistema de maçonaria simbólica é construído. Assim, nos EUA cada mestre maçom recebeu os três primeiros graus do rito de York. Tendo iniciado seu trabalho maçônico no Rito de York, e por esse motivo é natural que queira continuar nesse sistema ritualístico.

Segundo a lenda maçônica, todo homem educado no gráu sublime de mestre maçom recebia "segredos substitutos", pois os "verdadeiros segredos" foram perdidos. Pode ser uma surpresa para o homem comum, acreditando que seu trabalho está concluído, saber que os segredos relativos à cerimônia não serão dados a ele! Isso é lamentável, mas o véu é levantado no grau do Arco Real, e somente nesse grau. Portanto, nenhum homem se torna um mestre maçom até que seja exaltado a essa ordem sagrada.

Alguns têm a crença que o recém-criado Mestre Maçom pode receber os segredos e as palavras em um grau diferente do Arco Real. Isso não é verdade, historicamente ou não. A Grande Loja Mãe, a Grande Loja da Inglaterra, foi tão enfática em relação à necessidade do grau do Arco Real que, há muitos anos, estabeleceu isso como o Parágrafo Primeiro (1) de suas Leis e Regulamentos:

"Pelo ato solene da união entre as duas Grandes Lojas Maçônicas da Inglaterra em dezembro de 1813, foi declarado e enfatizado que a Pura Maçonaria Antiga consiste em três graus e não mais, a saber: os do Aprendiz, o Companheiro, e o Mestre Maçom, INCLUINDO A ORDEM SUPREMA DO SANTO ARCO REAL."

No continente norte-americano, existem graus adicionais no sistema, complementando o trabalho da Loja, do Capítulo e do Conselho, e as Ordens conferidas nos Mandamentos foram organizadas em um sistema ou Rito conhecido como Americano, Canadense ou Rito de York da Maçonaria. É de estrutura americana, pois é uma organização democrática em que cada membro tem voz e direito a ser ouvido.

É interessante notar que na Maçonaria Americana, as Lojas Maçônicas trabalham todas sob o mesmo sistema Ritualístico denominado "Blue Lodge", similar ao Ritual de Emulação. Em outras palavras, a formação do Mestre Maçom é comum para todos os maçons americanos, não havendo maçons simbólicos de diferentes Ritos nas Grandes Lojas.

Importante realçar o fato de que, por existir apenas uma Grande Loja Maçônica por Estado da Confederação, tal fato, por si só, colabora bastante para o fortalecimento da Maçonaria Simbólica e do REAA e do RYA que são os dois ramos de progressão, filosófica e doutrinária, disponíveis para os trabalhos complementares para aperfeiçoamento dos trabalhos da maçonaria simbólica. Esse é um também um fator de grande peso para gerar uma estrutura capaz de proporcionar um suporte adequado às atividades maçônicas em geral.

Para que esse trabalho de pesquisa possa atingir os objetivos pretendidos por mim, será necessário avançar na pesquisa e desenvolver os novos capítulos que irão completando essa introdução geral que considero o primeiro passo.

Após essas explicações introdutórias e sem mais delongas, vou diretamente ao tema, qual seja a estrutura geral comparativa entre o RYA e o REAA, conforme ilustrado nas gravuras a seguir:





Como sabemos, uma das condições essenciais para a caminhada maçônica na Maçonaria Regular (e o presente trabalho não pretende discutir esse aspecto sempre potencialmente polêmico) é crer em um Ente superior que denominamos como Grande Arquiteto do Universo. Para os maçons cristãos, geralmente, esse Ser superior e criador do universo e de tudo nele contido é o Deus de Israel ou o Deus de Abraão. Desse modo, podemos considerar que o RYA é essencialmente um Rito com um pano de fundo eminentemente judaico cristão e com uma perspectiva teística. Entretanto, note que tal pano de fundo vale também para o REAA, mesmo que de modo mais suavizado e com uma perspectiva mais deística. Tal exigência, a de regularidade, valem para as Lojas Simbólicas associadas com esses dois sistemas e, também, para as Lojas que trabalham sob o sistema inglês.

A partir da gravura acima podemos derivar a seguinte sequencia de Graus Capitulares e de Graus Crípticos, bem como as Ordens de Cavalaria que integram o programa de ensino maçônico a ser cumprida pelo maçom que pretende seguir o caminho proposto pelo RYA para a sua progressão e plena formação no entendimento das doutrinas maçônicas inerentes a esse sistema. Essa estrutura é a seguinte:

1- Capítulo do Real Arco, é o corpo que governa e ministra a primeira série de Gráus do conjunto denominado Rito York (Americano), que são os seguintes:

Gráu de Maçom da Marca

Gráu de Past Master (Virtual)

Gráu de Mais Excelente Mestre

Gráu do Real Arco

2- Conselho de Mestres Reais e Seletos, é o corpo que governa e ministra a segunda e última série de Gráus do conjunto proposto pelo RYA, que são os seguintes:

Gráu de Mestre Real

Gráu de Mestre Seleto

Desse ponto em diante, para a conclusão do sistema do RYA, as funções são assumidas pelo Comando de Cavaleiros Templários (CCT), que não ministra Gráus, mas administra e confere Ordens Maçônicas de Cavalaria aos candidatos que demonstrarem ter atingido proficiência nos Gráus ministrados pelo Capítulo e pelo Conselho e que desejam seguir adiante e ingressar nas Ordens de Cavalaria.

3- Comando de Cavaleiros Templários, é o Corpo que comanda e outorga as seguintes Ordens:

Ordem da Cruz Vermelha

Ordem de Malta

Ordem do Templo

Nesse ponto, para esclarecimento, comento o meu entendimento da utilização da palavra "Comando" ou "Comandância" ao invés de "Comanderia" para se referir aos corpos do traduzir a palavra inglesa "Commandery". Segue um exemplo:
Um Comando militar (por exemplo, o Comando Militar do Sudeste do Exército Brasileiro), é a sede de onde um comandante comanda a sua tropa. Desse modo, um Comando Templário (CT), que representa a menor célula organizacional templaria é comandado por um Cavaleiro Templário (CT) eleito para exercer esse comando e cujo tratamento é Eminente Comandante (EC). Mas esse é um ponto secundário relativo a aspectos de tradução entre idiomas e não atrapalha em nada o curso dos eventos maçônicos.

Assim, de modo resumido, o Rito York Americano é uma sequência de Graus e Ordens composto pelas Lojas Simbólicas (sob a jurisdição de uma GL), por 3 (três) Altos Corpos Maçônicos de Aperfeiçoamento, que governam os trabalhos de 6 (seis) Gráus e 3 (três) Ordens de Cavalaria. Em um próximo trabalho abordarei a estrutura de governança desses Graus e Ordens.

Estou ao dispor dos interessados em vir a colaborar com aspectos relevantes que possam enriquecer o presente resumo. Por favor, enviem-me seus comentários, sugestões, opiniões, críticas, etc.

Cordial abraço,



Kleber Siqueira
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NOTAS COMPLEMENTARES

Muito alegra, motiva e inspira o meu coração fazer parte dessa destacada e operosa estrutura maçonica, como membro ativo dos seguintes corpos sediados em Houston Texas:

Capítulo do Real Arco Washington No. 2 e do Conselho de Mestres Reais e Seletos Houston, No. 1

Comando de Cavaleiros Templários Ruthven No. 2

Ao longo de 2019 pretendo enriquecer um pouco mais as informações a respeito desse sistema maçônico. Suas eventuais perguntas ou sugestões, por favor, envie para o email salmo133web@gmail.com que terei muito prazer em interagir com o prezado Irmão.

Por favor, se desejar, deixe também o seu comentário no Blog.

Breve resumo da minha experiência Maçônica:

Tendo sido iniciado, elevado, exaltado e instalado na Loja Esperança, No. 181, GLESP, minha formação maçônica inicial foi realizada segundo o sistema e a estrutura do Rito Escocês, Antigo e Aceito (REAA). Ao longo dos anos 1980 e início dos anos 1990, tive a oportunidade de vivenciar exclusivamente o REAA.

Entre o período compreendido entre 1999 e 2005, fui fraternalmente acolhido como visitante frequente da The Santo Amaro Lodge, No. 7250 e demais Lojas Maçônicas integrantes do Distrito Nordeste da América do Sul, UGLE e com sede no Estado de São Paulo. No período iniciado a partir de 2009 tornei-me também membro da Internet Lodge, No. 9659, UGLE

Finalmente, em 2012, tornei-me membro da Gray Lodge #329, que tendo sido fundada em 1870 é a segunda mais antiga Loja Maçônica da cidade de Houston, Texas, sob a jurisdição da Grande Loja do Texas (GLOT). Através da Gray Lodge #329 tive a oportunidade de vivenciar o sistema denominado "Blue Lodge" (Sistema ritualístico adotado nas Lojas Maçônicas simbólicas americanas) e, também, o sistema do RYA, objeto principal desse trabalho de pesquisa.


Kleber Siqueira Kleber Siqueira
Grande Inspetor Geral, 33o.
S.C. R. E. A. A. R. F. do Brasil

Por favor, visite também o website do Rito Escocês Antigo e Aceito em Houston, Texas
Cavaleiro Templário
Rito York (Americano)


Seguem algumas fotos relacionadas com os Altos Corpos do RYA



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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Capitão Julio Augusto de Mello

Capitão Júlio Augusto de Mello



Homenagem ao Irmão Júlio Augusto de Mello Co-Fundador da ARLS Ben. Minas Livre Esperança No. 606, Grande Oriente do Brasil/Minas Gerais

Lista dos fundadores da Loja Minas Livre Esperança No. 606, ao Or. de Jacutinga, MG


O Capitão Júlio Augusto de Mello nasceu em 26 de Fevereiro de 1866, no municipio de Silvianópolis, Minas Gerais, sangue genuinamente brasileiro, incluindo ascendência silvícola da tribo Tupi; sobrinho de Silviano Brandão, Presidente do Estado de Minas, hoje equivalente ao cargo de Governador do Estado e casado com Dona Inácia de Alvarenga Peixoto cuja ascendência está diretamente ligada ao casal Barbara Heliodora e Alvarenga Peixoto, heróis e mártires da Inconfidencia Mineira.

O irmão Capitão Júlio, assim respeitosamente tratado nesse trabalho, e Dona Inácia, tiveram 9 filhos. Dentre eles destacamos dois:

- Júlio de Mello Filho, conhecido no âmbito da família como “Julico” e que aparece na foto a seguir, maçom e membro centenária e Gr.`. Ben.`. e Gr.´. Benf.´. ARLS Amizade nº141, do oriente de São Paulo, que por várias vezes visitou a nossa Loja e por um período da sua vida de aposentado residiu em Jacutinga.

Da esq: Deusdedit Granja dos Santos (esposo da Dona Elisinha de Barros Pinheiro - Jacutinguense, prima da Dona Ione e sobrinha do Ir. Américo de Paiva Pinheiro, também um dos co-fundadores da nossa Loja), Julio de Mello Filho (Ir. Julico), Francisco Mello Siqueira Junior (filho caçula do Ir. Francisco), Dona Ione de Souza Toledo Siqueira (esposa do Ir. Francisco), Dona Mercedes (2a. esposa do Ir. Julico) e Dr. Mario de Barros Pinheiro (Jacutinguense, primo da Dona Ione, irmão da Dona Elisinha e também sobrinho do Ir. Américo de Paiva Pinheiro, um dos co-fundadores da nossa Loja)


e
- Dona Maria da Conceição Mello Siqueira, professora, escritora, poetisa e ensaísta, casada com o saudoso “Sr. Banico”, Dr. Urbano Lopes Siqueira, cirurgião dentista, político local e fazendeiro, residentes em Jacutinga.

O casal Dona Conceição e Banico por sua vez eram os pais do nosso valoroso e saudoso irmão Francisco Mello Siqueira, membro ativo da nossa Loja durante os anos em que voltou a residir na Fazenda Santa Clara, em Jacutinga, após a sua aposentadoria. O Ir. Francisco era casado com Dona Ione de Souza Toledo Siqueira, que, por sua vez, eram os pais do nosso

- Irmão Kleber de Toledo Siqueira, casado com Dona Maria Lucia Giribone Siqueira, que por sua vez são os pais do nosso Irmão Kleber de Toledo Siqueira Filho, Mestre Maçom iniciado e membro ativo da nossa Loja.

e da nossa sobrinha
- Keila de Toledo Siqueira e Silveira, casada com Luiz Carlos Silveira, que por sua vez são os pais do nosso Irmão Luiz Henrique Siqueira e Silveira, Companheiro Maçom, iniciado e membro ativo da nossa Loja.

Destaco que a memória do nosso saudoso irmão Francisco, engenheiro, escritor e fazendeiro, muito nos honra com sua jornada maçônica que atingiu uma visibilidade em nível nacional com a publicação da obra maçônica Jesus e a Moral Maçônica, o qual sempre carregou em seu coração os laços de amizade com a maçonaria jacutinguense, da qual participou ativamente.

Dessa forma as explicações genealógicas acima colaboram para situar plenamente as ligações da nossa Loja com o seu co-fundador Ir. Capitão Julio, desde a sua origem até os presentes dias, através dos seus descendentes diretos, maçons que nos honram com a sua dedicação e contribuições para o engrandecimento da nossa Loja.

O irmão Capitão Julio foi fundador do periódico “O Jacutinga” primeiro jornal de Santo Antônio de Jacutinga no ano de 1897. No ano seguinte foi membro co-fundador da nossa ARLS Capitular Minas Livre nº606 em 1898 no oriente de Santo Antônio de Jacutinga, hoje nossa querida cidade e Estância Hidromineral de Jacutinga, juntamente com outros 22 renomados irmãos.

Homem de letra e de tudo entendia, de fala fácil dominava a oratória. Em 21 de Julho de 1898, já Mestre Maçom, foi eleito a nova diretoria da loja a qual ocupou cargo de Orador, segundo pesquisas foi exaltado ao grau capitular de Cavaleiro Rosa Cruz, Gráu 18 do Rito Escocês Antigo e Aceito, juntamente com outros 11 irmãos, em agosto de 1898.

Registramos, com emoção, o fato histórico que passados 103 anos da eleição do Irmão Capitão Julio para orador da primeira administração da nossa Loja, o nosso Ir. Francisco, seu neto, ocupou esse mesmo cargo na gestão 2001/2003, sob a liderança do nosso irmão Marcelo Caponi, Venerável Mestre.

Os fundadores escolheram “Minas Livre” o sugestivo nome distintivo para a nossa oficina porque tinham em mente homenagear os heróis e mártires da Inconfidencia Mineira cujo climax ocorrera há 109 anos, em 1789, e cujos feitos serviram de alavanca para o despertar do 7 de setembro de 1822. Destacamos que o Irmão Julio de Mello era descendente direto de Alvarenga Peixoto e Barbára Heliodora, importante casal de heróis e mártires da Inconfidencia Mineira. Tal fato agrega um valor adicional às tradições da nossa Loja, que conta em sua história e em seu quadro atual de membros, com descendentes diretos desses valorosos Inconfidentes.

O Irmão Capitão Júlio exerceu o cargo de fiscal da barreira do estado (fiscalização de impostos de fronteira estadual) e arrecadador de impostos em Jacutinga, onde residiu em um sobrado da rua Júlio Brandão, próximo ao antigo Mercado Municipal, atualmente sede da Prefeitura Municipal, tendo sido proprietário de imóveis rurais e urbanos.

Na década de 1920, o Ir. Capitão Julio decidiu vender as suas propriedades em Jacutinga e transferir sua residência e domicilio para Taubaté, próspera cidade Paulista situada no Vale do Paraíba, onde comprou uma grande e bela fazenda no subdistrito de Jambeiro. Nessa nova propriedade dedicou-se a criar gado e ao cultivo do café.

Anos depois , devido a sua não adaptação à região do Vale do Paraíba, vendeu sua fazenda ao então Deputado Pe. Calazans e transferiu sua residencia para São Paulo, capital, passando a residir no bairro do Brás.

Adoentado e desalentado com os negócios finalmente decidiu voltar a residir em Jacutinga, onde veio a falecer no dia 24 de outubro de 1944, com 78 anos de idade, devido a doença cardíaca. Encontra-se sepultado no cemitério municipal da cidade.

Através dos relatos de Dona Lygia Siqueira Corradi, sua neta e irmã do nosso saudoso Ir. Francisco, sabe-se que o Ir. Capitão Julio era um homem de gênio firme, enérgico, letrado, elegante com suas vestimentas e de bom humor.

Como curiosidade, Dona Lygia relata que quando o Ir. Capitão Júlio saia de casa para frequentar as reuniões da nossa Loja, dizia à família e aos circunstantes que ia “montar no bode”, a mesma expressão que ainda eventualmente escutamos nos dias atuais para referir que se está indo à uma Loja maçônica. Tal forma de se expressar impressionava os não maçons, com um certo ar de mistério e talvez até mesmo de receio.

Nos últimos de vida, segundo depoimento da Dona Lygia, o nosso Ir. Capitão Julio comentava que os irmãos maçons pareceiam estar fadados a um triste e melancólico final de vida. Talvez, tal pensamento poderia decorrer dos infortunios que o acometeram na ultima fase da vida.

Registro que Dona Lygia, muito gentilmente acedeu ao meu convite de irmos juntos ao cemitério municipal de Jacutinga para que ela pudesse indicar-me o túmulo do Ir. Capitão Julio e confirmar as datas do seu nascimento e do seu falecimento. Tal verificação se fez necessário, uma vez que em nossa cidade a prefeitura tem registros civis de morte apenas a partir do período a partir de 1940. Antes daquele período, a função de manter tais registros era da competência da Igreja Católica Romana local. Desse modo, pude ter acesso ao local do túmulo do Ir. Capitão Júlio, que naquele campo sagrado jaz em paz.

Túmulo do Ir. Capitão Julio Augusto de Mello, no Cemitério Municipal de Jacutinga, MG. Na foto abaixo, a lápide indicando as datas de nascimento e morte do Ir. Capitão Júlio



Ir. Danilo, autor desse trabalho de pesquisa maçônica, ladeando Dona Lygia Siqueira Corradi, neta do Ir. Capitão Júlio, em recente visita à sua residencia em Jacutinga, MG


Desse modo, com muita satisfação é que, aos 119 da sua fundação, concluo que o Reconhecimento e a Gratidão pela vida e pela operosidade maçônica do nosso Irmão Capitão Júlio Augusto de Mello e de todos irmãos fundadores e aos irmãos que ao longo dessas muitas décadas por aqui passaram e dedicaram muito do seu esforço pessoal, sinto-me imensamente honrado pelo fato de que, juntamente com meus prezados irmãos, herdamos de graça como fortuna, este maravilhoso, respeitado e sagrado templo que chamamos de Loja, que tenho por obrigação de honrar, trabalhar, zelar e carregar em meu coração, um dos maiores presentes e oportunidade que o G.´.A.´.D.´.U que é DEUS me proporcionou.

Que o respeito, a fraternidade, a paz, a harmonia estejam sempre conosco e que a vaidade nunca atinja nossos corações. “Um Tríplice e Fraternal Abraço”

Jacutinga aos 22 dias, do mês de Novembro de 2017 da E.´.V.´.





Ir. Danilo Flávio Ozório, M.M., 2º Vigilante, gestão 2017/2019


Referências bibliográficas:
1- Livro quem somos da Academia Paulistana de Letras de 1992.
2- Livro Antologia, Homenagem a Maçonaria aos 450 de desafios, ação, vitorias e glórias de São Paulo. 2004.
3- Livro Antologia III da academia paulistana de Letras 2005.
4- Blog do Irmão Francisco de Mello Siqueira.
5- Relatos da senhora Lygia Siqueira Corradi, neta do Irmão Júlio Augusto de Mello.
6- Livro- O Cabo-Maior dos Paulistas na Guerra dos Emboabas. 1961. Autor Aureliano Leite.
7- Wikipédia para pesquisar sobre a Loja do Ir. Julico.

domingo, 5 de novembro de 2017

A MINHA LOJA




A MINHA LOJA

Que vos direi Irmãos da minha Loja? Que tenho eu aprendido nela para vos transmitir? O que precisa ela de mim?

Sei que um dia, em Sessão Magna de Iniciação quando o sol já se havia escondido, marchava sobre o Pavimento Mosaico da minha Loja e nele fazia ainda um juramento solene. Fazia-o humildemente e com toda a sinceridade.

Mais tarde, com passos em esquadria, muitas outras marchas fiz, e, bem distante, longinquamente, adivinhávamos uma Luz de brilho intenso, Luz que a todo o instante nos chama, nos conclama à integração da Grande Fraternidade.

Solenemente, de pé e à ordem, vamos tomando contato e conhecendo as grandes ferramentas e começamos a admirar a nossa Loja.

Obra divina, ela nos acarinha e espera pacientemente pelo nosso eterno aperfeiçoamento; ela nos diz pela sua simbologia perfeita, austeramente, quantas mãos empunharam essas ferramentas, quantos corações, quantas mentes, quantas gotas de sangue e suor, os obreiros de todos os tempos despenderam a bem da Ordem em geral e do Quadro em Particular.

Oh! humanidade sofredora, quantas marchas tu já fizeste neste pequenino Pavimento de Mosaico, quantas construções tu já fizeste.

Tu, minha Loja, És o infinito, dás-nos as coordenadas exatas para nossa orientação. Mostras-nos as constelações que brilham intensamente mas que só se contemplam em longas noites escuras.

Que paradoxo necessário, nós sabemos que, o que é verdadeiramente belo, só se enxerga à distância, não podemos conspurcar no imediatismo, em simples assopro, esse brilho eterno da verdade. Adverte-nos das coisas vãs no plano finito.

No plano infinito incentiva-nos á investigação e estudo das coisas de sempre, do que é divino e salutar, que é justo e perfeito, das virtudes que hão de argamassar todo este edifício social do qual o G.’.A.’.D.’.U.’. , nunca se desinteressou.

Tuas colunas eu sinto permanentemente ao meu lado, adentrando-as sempre, tentando ser também uma, situado eqüidistante , para que eu me sinta em Loja e seja ao mesmo tempo o seu prolongamento.

Eu quero transformar-me em Templo para albergar todos os homens, todos os meus Irmãos , distinguindo-os com a prática do meu Rito, a sabedoria dos meus graus, a prática dos bons costumes, a coerência íntegra entre o que se diz e o que se faz.

Oh! Santa Maçonaria, será que o fogo que desencadeias em nossos corações, não será tão puro como qualquer outro, cujas labaredas se erguem aos Céus, crepitando, purificando, no centro de um acampamento onde reine sempre a Paz e o Amor?

Não será isto filantropia? Não será a causa das causas a nossa filosofia? Não seremos progressistas? Por que então, às vezes, ocorrem desvios que não têm nada que ver com a pluralidade, a diversidade, a verdadeira policromia que inebria?

Minha Loja, acho que estás certa!...

Eu não me conheço a mim próprio, como desejava Sócrates que os homens fizessem. Por isso não posso também conhecer muito bem o próximo.

Vamos, porém, nesta caminhada, passando a Trolha pelas paredes deste edifício, ainda com a massa fresca, eliminando alguma saliência que comprometa a estética, vamos alisar o encrespado que despertará sempre o nosso agrado.

Tão pouco tenho para te oferecer minha Loja!

Aceita-me como sou, simples, ingênuo às vezes, mas permita-me preservar o lirismo que nasceu nas veias, para poder cantar suavemente aquele melopéia que João Almada publicou no jornal “O Estado de São Paulo”, em sua edição de 11 de setembro de 1977, pelo Centenário da morte de Alexandre Herculano;

OU PEDRINHA, OU... VAI, PEDRINHA, VAI... EI, PEDRINHA, EI... OU, PEDRINHA, OU... VAI QUE EU TAMBÉM VOU...

Bodes do Asfalto - Santa Catarina




Idealizado pelo M. Resp. Ir. Wagner Sandoval Barbosa, Past Grão Mestre do GOB-SC, o evento motociclístico "Abraçando o Estado de Santa Catarina" teve a sua 9ª edicao anual consecutiva realizada nesse final de semana prolongado, entre os dias 01 a 05 de Novembro de 2017.

O passeio de 2017, abrangendo uma distância de 1.800 km, que exigiram 4 noites e 5 dias de deslocamento, foi composto por um grupo de 22 irmãos e 14 cunhadas, todos afiliados ao Moto Clube Bodes do Asfalto, que atualmente conta com cerca de 8.200 membros sendo o maior moto clube do Brasil, formado exclusivamente por maçons.

Como parte desse passeio motociclístico, foi programada uma Sessão Aberta da ARLS Cavaleiros de Aço nº 4322 do GOB-SC, realizada no espaço denominado "Templo de Salomao", que reproduz um templo maçônico configurado para reuniões do R.E.A.A. a Céu Aberto, situa-se no Camping Canyon de Guartelá. Essa especial e memorável sessão foi conduzida pelo Resp. Ir. Fábian Radloff, seu Venerável Mestre, tendo sido abrilhantada pela presença das Cunhadas e de visitantes.









Por tratar-se de uma viagem de longa duração e com as Cunhadas na garupa, considerando que os alforges das motos possuem um espaço bem reduzido para bagagens e, sendo a nossa Cavaleiros de Aço uma Loja do R.E.A.A., para facilitar a logística foi permitido o uso de Balandrau ao invés do tradicional traje maconico completo.



Depois dessa memorável sessão pública a Céu aberto, o grupo seguiu viagem com destino a Chapecó, oeste do estado de Santa Catarina, para participar do Encontro dos 3 Estados do Sul, evento também patrocinado pelo Moto Clube Bodes do Asfalto e que contou com mais de 300 participantes.

De fato, foi um final de semana muito agradável onde reinou a harmonia e o amor fraternal.





Todo o percurso foi realizado dentro das melhores praticas de seguranca e disciplina no deslocamento de grupos em estradas e em longas distâncias.

Os Irmãos interessados em participar do Moto Clube Bodes do Asfalto são muito bem vindos!

Fraternalmente,

Ir. Wagner Sandoval Barbosa, PGM, GOBSC